domingo, 21 de abril de 2013

Alongamento & Contração Muscular

Para finalizar (por hora) a nossa discussão sobre MÚSCULO, vamos falar de um assunto que todo mundo já conhece e que repercute bastante: ALONGAMENTO. O que é? Para que serve? Tem algum risco? Vamos ver!

Alongar: estirar as fibras musculares. Mas para que serve o alongamento? O alongamento tem três principais funções, são elas: treinar Flexibilidade, relaxamento e aquecimento. O alongamento trabalha funções diferentes conforme sua INTENSIDADE. É esse fator que determina qual será o efeito do alongamento. Vejamos:

Flexibilidade: Capacidade de realizar movimentos em determinadas amplitudes. Portanto, quanto mais amplitude de movimento (ADM) maior a flexibilidade. A flexibilidade é uma valência física, e por tanto, pode ser TREINADA, mas para treinar flexibilidade, devemos saber que ela depende de alguns fatores, como:

Mobilidade Articular – Existem articulações que graças as suas anatomias são muito mais móveis do que outras. Exemplo: Cotovelo e Ombro. Na articulação do cotovelo é possível realizar dois movimentos: flexão e extensão, e além disso, é limitada por elementos ósseos, ligamentares e musculares, Já na articulação do ombro, podemos realizar movimentos multiaxiais, isto é, movimentos em torno de vários eixos: flexão e extensão, abdução e adução e circundução.
Elasticidade Muscular – Músculos mais elásticos tendem a se estirar mais e gerar maior flexibilidade.


Massa adiposa/muscular - Músculos muito hipertrofiados e acúmulo de massa adiposa afetam a amplitude de movimento, e por consequência, afetam a flexibilidade. Nas figuras abaixo exemplos de como a massa muscular ( a esquerda) e como a massa adiposa ( a direita) podem 
 influenciar na flexibilidade.



 

















Elasticidade da pele - Idosos que perdem a elasticidade da pele, tendem a ter a amplitude de movimento diminuída. Dos fatores expostos acima, os que mais contribuem para a ganho de flexibilidade são os dois primeiros, e por isso vamos falar um pouco mais sobre eles.



É possível treinar mobilidade articular, ou seja, ganho de ADM? Sim. Mas a fase do desenvolvimento em que o indivíduo se encontra definirá o tamanho desse ganho, As crianças são as mais suscetíveis a esse tipo de treinamento, por vários motivos como: Epífises osseas não consolidadas assim como a calcificação ossea, e assim, é possível moldar, de forma mais eficaz, as estruturas articulares.

 
A articulação do quadril (coxofemoral) é uma das mais trabalhadas. Para gerar uma maior amplitude de movimento, a articulação do quadril é trabalhada no sentido de melhor acomodar o fêmur sobre seu acetábulo, tornando, por exemplo, o acetábulo mais raso. PORÉM: todo esse trabalho sobre a articulação vem acompanhado de reforço muscular que acompanha essa articulação!






Como mencionado anteriormente, para trabalhar flexibilidade devemos levar em conta o fator elasticidade muscular. Mas, o que é ELASTICIDADE? “elasticidade é a capacidade de uma estrutura se esticar e se comprimir tendo a capacidade de retornar a sua posição original”.
Como treinar elasticidade muscular? Modificando o NÚMERO de sarcômeros da fibra muscular. Lembram do sarcômero? Discutimos suas organização na primeira postagem referente a musculo. E como o número de sarcômeros influencia na elasticidade? Da seguinte forma: Uma fibra muscular terá sua elasticidade aumentada quando os sarcômeros em série aumentarem de número. (SIM! São os sarcômeros em série que alteram a elasticidade muscular e não os sarcômeros em paralelo).

Vamos visualizar:



Observando a figura acima, quando houver a contração muscular (momento em que as linhas z se aproximam) o músculo que tiver mais sarcômeros em série terá maior capacidade elástica em relação ao músculo que tiver mais  sarcômeros em paralelo. Esse movimento de comprimir e esticar durante a execução de determinado movimento é chamado excursão fisiológica. Se o aumento “sarcomérico” for no sentido paralelo, a miofibrila terá seu comprimento DIMINUÍDO, e consequentemente, seu potencial elástico diminuído.
Como sabemos se o treino de força produzirá um aumento de sarcômeros em série ou em paralelo? Simples, pela excursão fisiológica do movimento. Se a execução do movimento for realizada na excursão fisiológica normal do segmento, o número de sarcômeros aumentará em série. O que ocorre com um exercicío de hipertrofia malfeito? A pessoa executa o movimento em uma excursão fisiológica diminuída, e assim, provoca o crescimento do número de sarcômeros em paralelo. OU SEJA: TREINAMENTO DE HIPERTROFIA RESULTARÁ EM PERDA DE ELASTICIDADE MUSCULAR APENAS DE FOR REALIZADO DE MANEIRA ERRADA!
Outro fator que também influencia na elasticidade muscular ( e por conseguinte, na FLEXIBILIDADE) é a chamada Viscosidade Sarcoplásmatica, quanto MENOR a viscosidade do sarcoplasmas que envolve o músculo, maior será a sua flexibilidade. Mas o que é viscosidade? Viscosidade é o índice de atrito que as móleculas de determinado meio aplicam entre si. Sabemos que quanto mais aquecido esse meio, menos atrito é gerado pelas moléculcas. Logo: quanto mais aquecida a musculatura se encontra, menos viscosidade e mais flexibilidade. Exemplo prático: tente fazer um exercício que trabalhe sua flexibilidade no verão e faça o mesmo exercicío no inverno. No verão o resultado será muito melhor. Se fossemos montar uma equação com essas três variáveis, a viscosidade e a flexibilidade seriam as componentes inversas, quando aumentamos uma, diminuímos a outra.

TIPOS DE ALONGAMENTO
Para treinar flexibilidade usamos alongamento. Mas que tipo de alongamento? EXISTEM DIVERSOS TIPOS DE ALONGAMENTO! Vamos falar dos mais recorrentes.
Tipos de alongamento em relação aos arcos reflxos:

ALONGAMENTO ESTÁTICO
ALONGAMENTO BALISTICO
FNP
Ativa reflexo miotático inverso.
Ativa reflexo miotático.
Inibi reflexo miotático e ativa reflexo miotático inverso.

Alongamento balístico: Alongamento com insistência, consiste em uma sequência de repetições insistidas, ativa o Reflexo Miotático.
Alongamento estático: Alongamento que gera tensão muscular. É realizado um alongamento balístico e permanece nele, estaticamente, sem forçar repetições, ativa o Reflexo miotático inverso. Quanto mais tempo, mais ativado o reflexo, mais relaxa musculatura.
FNP: Facilitação neuro muscular proprioceptiva. Essa técnica utiliza a contração da musculatura a ser alongada para potencializar esse alongamento. Na posição de alongamento do musculo alvo, faz-se uma contração contra alguma resistência e em seguida alonga-se o músculo. Aquela contração provoca uma inibição do reflexo miotático por inibir o fuso muscular e potencializa o efeito do reflexo miotático inverso ao estimular o OTG!

Indicações:
Para relaxamento: alongamento estático.
Para aquecimento: inicia com alongamento estático depois troca para alongamento balístico.

ATENÇÃO: alongamento pré exercício faz potência muscular cair.

E agora para finalizar: adaptação da contração muscular durante o exercício. É DIFÍCIL CONSEGUIR REALIZAR UM EXERCÍCIO QUE CONTENHA UM ÚNICO TIPICO DE CONTRAÇÃO, PORQUE? Por um fenômeno chamado CO CONTRAÇÃO => Contração reflexa da musculatura antagonista do movimento que está sendo executado. Ou seja, por exemplo, numa extensão de cotovelo, o músculo bíceps braquial é estirado, quando isso ocorre o reflexo miotático é ativado, provocando uma leve contração desse músculo. Esse efeito de co contração tem o objetivo de estabilizar a articulação durante a execução do movimento. Quanto mais treinado for o indivíduo para fazer o gesto a ser realizado, menos co contração ocorre, por que de certa forma, a co contração é um evento que freia o movimento a ser executado.

METABOLISMO NAS DIFERENTES CONTRAÇÕES MUSCULARES.
Como reage o Consumo de oxigênio e a concentração de lactato durante exercícios com diferentes tipos de contração? 


Analisando os gráficos acima, podemos entender que:
  1. Tanto consumo de oxigênio quanto consumo de lactato são menores no trabalho excêntrico.
  2. A demanda metabólica/gasto energético do trabalho excêntrico é menor.
  3. Logo: a carga máxima de trabalho na contração excêntrica é maior.


A JUSTIFICATIVA É MERAMENTE MECÂNICA.
A fibra muscular é composta por sarcômeros e elementos elásticos. Na contração concêntrica: diminui comprimento do sarcômero e dos elementos elásticos. Excêntrica: Os componentes elásticos distendem, e com isso demandam menos energia do que na contração concêntrica,isto é: diminui o trabalho das estruturas contráteis. O sistema é mais ECONÔMICO, devido a mecânica da contração excêntrica.




Porém! O trabalho excêntrico tem suas desvantagens. 



Ck total: mede os niveis de Ck MM – Musculatura esquelética, CK MB – musculatura cardíaca, - CK BB – cerebral.


Os níveis de Creatina ,Kinase, mioglobinas e tropononina sanguineas aumentam! Isso corresponde a que: LESÃO MUSCULAR! Tanto a Ck, quanto a mioglobina e a troponina são estruturas musculares, se elas se encontram no sangue significa que houve rompimento de células musculares. Conclusão do gráfico: a contração excêntrica resulta em muito mais lesões musculares do que a contração concêntrica.
Efeito desses microtraumas: DMT – DOR MUSCULAR TARDIA.
Causada pelo processo inflamatório consequente dos microtraumas que a musculatura sofre durante o trabalho excêntrico, quanto maior for esse trabalho, mais DMT apresentará o indivíduo. 
 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

CONTROLE MOTOR


CONTROLE MOTOR

Para realizar qualquer movimento, precisamos antes processar o que é preciso fazer para realizar tal tarefa (por mais que isso parece ser muito simples!), e então, ativamos nosso sistema nervoso central para nos auxiliar. Isso, basicamente, chamamos de CONTROLE MOTOR, que por sua vez, pode ser divido em três níveis:

1)   Controle Motor Voluntário
2)   Controle Motor Automático
3)   Controle Motor Involuntário


Relembrando neuroanatomia: Existe uma parte do sistema nervoso central que denominamos ARÉA PRÉ MOTORA, que através de sequências de informação coordena nosso Controle Motor Voluntário e Automático. Como funciona essa sequência de informações? Esquematicamente, podemos simplificar assim:






1)   Controle Motor Voluntário
Quando vamos  executar algum movimento, a primeira coisa a ser feita é o PLANEJAMENTO desse movimento. Essa informação se divide por dois caminhos, um estímulo que vai para o córtex motor e um estímulo que vai para o cerebelo. Do córtex motor esse estimulo segue a sequência da figura das flechas azuis! OU SEJA: Antes mesmo do músculo receber o estímulo e contrair,  possuímos uma atividade PRÉ MOTORA, que de certa forma, prepara o músculo para a execução do movimento planejado. Quando o músculo é contraído, ocorre a ativação de estruturas sensoriais (veja as flechas amarelas!), é uma forma de o músculo informar como foi o resultado do movimento executado. Aí que vem a função do Cerebelo no nosso esquema: Comparar informações. Como assim? Basicamente ele compara o comando enviado – ação idealizada - (flechas azuis) com a resposta recebida  - ação realizada- (flechas amarelas). Mas porque o cerebelo reenvia essa comparação ao córtex? Pois a ação idealizada NUNCA é igual a realizada, isto é, sempre cometemos alguns ‘errinhos de execução’ e então, cabe ao Córtex corrigir esses erros, para que o nosso movimento seja o mais preciso possível.


ATENÇÃO! Lesões cerebelares:
O individuo com lesão cerebelar possui o chamado GESTO ERRÁTICO, ou seja, perde a capacidade a ajustar o movimento, e “corrigir” aqueles erros que comentamos anteriormente.


2)   Controle Motor Automático

MOVIMENTO VOLUNTÁRIO -> MOVIMENTO AUTOMÁTICO

A partir de determinadas repetições, o tal “Planejamento” desaparece, isto é: perdemos a necessidade de planejar aquele movimento, e ele passa a ser Automático, é assim que passamos a utilizar apenas a parte  da TÁTICA E DA EXECUÇÃO do movimento, representadas no esquema acima.
. Para entender melhor, vamos utilizar um exemplo que todos  já vivenciamos: Aprender a caminhar. Caminhar é um gesto planejado ou automático? HOJE, ele é automático, mas nem sempre foi assim. Quando não tínhamos prática: planejamos diversas vezes, erramos muuuito até conseguir formar um padrão de movimento que nos mantivesse em pé. Depois de repetir diversas vezes, sim! DIVERSAS VEZES,  até atingir uma via eficiente e conseguirmos dar o primeiro passo e depois evoluir de marcha rudimentar para uma marcha madura, criamos o nosso ENGRAMA da marcha, e o nosso ato de “caminhar” passa a ser automático onde o  nível de planejamento passa a ser desnecessário.
ENGRAMA. O QUE É UM ENGRAMA? Simplificadamente, Engrama é a forma que o nosso sistema nervoso encontrou para armazenar memórias, e assim, automatizar nossos gestos cotidianos. Assim, podemos definir: quanto mais Engramas criamos, mais vocabulário motor nós temos, e assim, melhor executados são os nossos gestos.

QUAL A IMPORTÂNCIA DE OBTER UM BOM VOCÁBULÁRIO MOTOR?



- Clínica: Recuperação de Acidentes Vasculares Cerebrais. Quanto mais execução,repetição,execução, mais engramas o paciente consegue formar, através do que chamamos de PLASTICIDADE NEURAL: Capacidade  que os neurônios têm de substituir neurônios que morreram.








- Esporte: Quanto mais engramas o atleta possui, mais habilidade ele tem para lidar com situações inesperadas. E para atingir esse nível o que é preciso? MUITA REPETIÇÃO! Quanto mais repetição, mais natural, mais automático fica o gesto!

3) Controle Motor Involuntário

Vias involuntárias – Arcos Reflexos. Diferentemente do que discutimos acima, os arcos reflexos não dependem da ativação das vias superiores (vias corticais), mas sim vias inferiores (ao nível da medula). São três os principais arcos reflexos. 


De modo simples e prático, explicaremos os três reflexos.





REFLEXO MIOTÁTICO


É um reflexo involuntário ativado por um órgão sensorial chamado Fuso Muscular. O fuso muscular é um proprioceptor que fica a localizado entre as fibras musculares e dá a ideia sobre comprimento do músculo. Sua organização é em paralelo com as fibras do músculo.









Imagem esquemática de como está locolizado o fuso muscular: o fuso possui capsula fibrosa e também é formado por fibras musculares, mas suas fibras  são modificadas, e praticamente  não possuem capacidade contrátil.










O  Reflexo Miotático ocorre graças a um estiramento do fuso: Quando um músculo é estirado (alongado) é disparado um potencial de ação, que chega até o H medular através de uma fibra nervosa do tipo Ia e faz uma ÚNICA sinapse com uma fibra nervosa do tipo Alfa, que é um Motoneurônio proveniente do músculo que foi estirado!

 1º ESTÍMULO DO NEURÔNIO AFERENTE IA
  2º VAI ATÉ O H MEDULAR
 3º RECEBE UM ESTIMULO ATRAVÉS DO INTERNEURONIO MOTOR ALFA
 4º CONTRAÇÃO DO MUSCULO ESTIRADO.
RESPOSTA PRINCIPAL DO REFLEXO MIOTÁTICO: CONTRAÇÃO DO MÚSCULO ESTIRADO!





Exemplo: Reflexo Patelar. Estiramento do quadríceps, faz ativação do do fuso, que em resposta provoca contração do músculo antes estirando!  Exemplos práticos do Reflexo Miotático: Musculatura cervical e musculatura postural!




O fuso muscular também está diretamente ligado com o tônus muscular: Indivíduos que apresentam HIPERTONIA (excesso de tônus) têm hiperatividade do reflexo miotático, enquanto que, indivíduos que apresentam HIPOTONIA tem diminuição do reflexo miotático. 


APLICAÇÃO PRÁTICA DO REFLEXO MIOTÁTICO EM TREINAMENTOS E EXERCÍCIO FÍSICO: PLIOMETRIA.

É possível, voluntariamente, ativar um arco reflexo? Sim. 






Os saltos em altura partem de uma altura inicial, quando o indivíduo realizar extensão total dos membros inferiores e sofrer o impacto no chão, ele ativará o reflexo miotático tanto voluntaria quando involuntariamente, e isso, POTENCIALIZARÁ O SALTO, já que a resposta do reflexo miotático será de flexão dos membros inferiores! 


REFLEXO MIOTÁTICO INVERSO

É considerado um reflexo de PROTEÇÃO. Pois sua ativação evita lesões quando ocorrem contrações excessivas de um músculo. Esse reflexo é ativado pelo OTG (Orgão Tendionoso de Golgi).  




O OTG está presente nos tendões e transmite a ideia de FORÇA (TENSÃO) gerada pelo músculo e  encontra-se em série com as fibras do músculo.

O reflexo miotático inverso é dissinaptico, pois: Quando o OTG é acionado, ele envia um estímulo que quando chega na medula, faz DUAS SINAPSES. Uma sinapse INIBITÓRIA para a musculatura AGONISTA e a segunda sinapse EXCITATÓRIA para a musculatura ANTAGONISTA, a fim de proteger a musculatura de alguma lesão.




ATENÇÃO: veja que o reflexo miotático e o reflexo miotático inverso são antagônicos mas possuem a mesma função, que é de PROTEGER determinada estrutura. Qual deles utilizamos mais? bom.. isso é difícil determinar, mas uma coisa podemos dizer: geralmente ambos reflexos são ativados em sequência, primeiro é ativado o reflexo miotático, e sem seguida, é ativado o reflexo miotático inverso.


REFLEXO FLEXOR OU DE RETIRADA

O meio de ativação desse reflexo é um estímulo nociceptivo, ou seja, é um estimulo de dor.  
                         Exemplo! Quando pisamos em um prego 


Um estímulo nociceptivo chega até a medula, e lá faz polisinapses: Sinapses que no lado ipsilateral (membro lesado) excitam a musculatura flexora do membro, e também faz sinapses que inibem a musculatura extensora do membro. Isso tudo para que? Para que assim,  de maneira involuntária ( = rápida) a gente consiga proteger aquele membro que recebeu estímulo nociceptivo! Do lado contralateral ocorre o oposto: sinapses que excitam musculatura extensora e sinapses que inibem a musculatura flexora. Mas por que isso ocorre? Resquício do processo filogenético. Quando éramos quadrúpedes, era necessário que o membro contralateral permanece estendido, para que toda a vez que fosse ativado o reflexo flexor conseguimos nos manter, sem cair.Tanto no passado, quanto hoje, o que seria da gente sem o reflexo flexor?

A figura abaixo faz uma comparação da circuitaria nervosa do reflexo miotático e do reflexo flexor. 







Homúnculo Motor  de Penfield:   Desenvolvido por um neurocirurgião canadense chamado Wilder Penfield, o homúnculo é a representação de um homem deformado com regiões do corpo muito maiores do que as outras, mostrando assim, a proporcionalidade entre as áreas do corpo: as áreas de maior tamanho são as que mais apresentam precisão de movimento (no homúnculo motor) e as que mais apresentam receptores sensoriais ( no homúnculo sensorial).  O homúnculo é de grande importância para que consigamos entender a relação do córtex motor com os movimentos do corpo humano. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

NEUROMUSCULAR

NEUROMUSCULAR

Então, vamos falar de músculo! Iremos abordar algumas questões básicas e outras mais complexas, que com certeza fazem parte do dia a dia de todos nós. Para começar:  



- O que é um músculo?






- O que é um músculo? O tecido muscular consiste de células contráteis especializadas, ou fibras musculares, que são agrupadas e dispostas de forma altamente organizada. Isto é: O músculo tem a capacidade de transformar energia química em energia mecânica e nos fazer ser capazes de nos movimentar!





O músculo é formado, basicamente assim: Um ventre muscular é envolvido por uma fáscia chamada EPIMISIO. O músculo é composto por conjuntos de fibras musculares (feixes), que são envoltos pelo PERIMISIO. E cada fibra muscular (que em conjuntos formam os feixes) é envolta pelo ENDOMISIO. 

As miofibrilas são o que chamamos de componentes contráteis do músculo, e são formadas por algumas proteínas, dentre as principais: ACTINA E MIOSINA.



Como ocorre a contração muscular?
Pois então, existe mais de uma teoria que tenta explicar como ocorre a contração muscular. É isso mesmo,  não se tem absoluta certeza de como esse processo ocorre, e é por esse motivo que três autores criaram diferentes teorias sobre a contração muscular.




A teoria das pontes cruzadas é a mais aceita, e então é por ela que vamos tentar entender a contração muscular. A teoria das pontes cruzadas segue a ideia de que para haver contração muscular, ocorre o ENCURTAMENTO  das proteínas que foram o sarcômero (unidade contrátil do músculo) .  E como ocorre esse encurtamento? Através das pontes cruzadas. Veja a imagem a seguir:





Os filamentos finos formados pela proteína Actina (em azul) , a troponina proteína globular ( em laranja) e a tropomiosina proteína filamentosa (em preto).
 Os filamentos grossos formados pela proteína miosina  e a titina (não representada no esquema acima, mas é uma proteína importantíssima, que ‘ancora’ o filamento grosso às linhas Z do sarcômero).
Através de estímulos nervosos, acontecem diversas mudanças na célula muscular (para saber detalhes, veja: http://www.ufrgs.br/livrodehisto/pdfs/5Muscular.pdf)  e a proteína Troponina sofre mudanças que afetam a Tropomiosina também, expondo sítios de ligação da Actina, onde a cabeça de miosina é atraída por esse sitio de ligação. Aí se forma a ponte cruzada! Ocorre uma tração entre os filamentos, e um consecutivo deslizar de um filamento sobre o outro. Assim: aproximando as linhas Z, fazendo os diversos  Sarcômeros presentes nas fibras musculares encurtarem e gerarem a nossa famosa CONTRAÇÃO MUSCULAR.
CURIOSIDADE! O que é o “Rigor Mortis?  É nada mais que a falta de ATP para desfazer as pontes cruzadas! A tendênia natural das proteínas manterem-se ligadas de 4 a 24 horas após a morte do indíviduo até que venha ocorrer a desnaturação dessas proteínas.

Mecânica da contração muscular
Relação Tensão-Comprimento diz respeito a força produzida pelo músculo em relação a tensão exercida sobre ele. Em tensões extremas o músculo produzirá menos força. POR QUE ISSO ACONTECE?

Comprimento pequenos (MÚSCULO ENCURTADO) fazem a capacidade de gerar força ser limitada!

Comprimentos muito grandes: dificultam o acontecimento das pontes cruzadas

Comprimento Intermediário: Distância ideal para gerar força  e consequentemente gerar as pontes cruzadas.





Características das Fibras Musculares.
Existem três tipos de fibras musculares. Fibra tipo I, conhecida como fibra LENTA, fibra tipo II a que tem frequência de ativação média, e fibra tipo II x (ou II B) que é conhecida como fibra RÁPIDA.
CONHECER AS DIFERENTES CARACTERÍSTICAS DE CADA TIPO DE FIBRA É ESSENCIAL PARA QUE TENHAMOS NOÇÃO DE QUE TIPO &INTENSIDADE DE EXERCÍCÍO ESCOLHER PARA DETERMINADO OBJETIVO. Treino para velocistas? Treino de resistência? Terapia para reabilitar funções musculares? Pois bem, para começas a pensar em montar qualquer atividade, é necessário termos o conhecimento sobre as fibras musculares. Veja a tabela a seguir:





Exemplos práticos e FUNCIONAIS!
- Músculo mais veloz do corpo humano: Tríceps Braquial. Pois esse músculo não tem necessidade de ser resistente, e sim veloz. Seguindo a tabela acima: hipertrofia ALTA.
- Músculos lentos: tríceps Ural (para nos manter de pé!), eretores da coluna (para nos manter eretos). Seguindo a tabela acima: hipertrofia BAIXA.
-Músculo mais lento e mais resistente? CORAÇÃO!

TREINAMENTO FÍSICO POSSIBILITA SUBSTITUIR UMA FIBRA POR OUTRA? DEPENDE.

As fibras do tipo I não podem ser transformadas em tipo II, pois treinamento físico não tem a capacidade de mudar a inervação de uma fibra. Porém, é possível transformar as fibras do tipo IIA em fibras do tipo IIB, e vice versa. A resposta está no metabolismo. Assunto que discutimos anteriormente. O que difere uma fibra da outra não é basicamente seu metabolismo? Então interferindo no metabolismo é possível mudar as características das fibras de tipo II. Através de treino. Dependendo da distribuição de células de um músculo, diferentes capacidades esse músculo terá. Logo, o treino tem que ser adequado para as capacidades específicas de cada músculo.




 

GENÉTICA

E afinal de contas, tipo de fibra muscular, é genético? SIM! Claude Bouchrd ao comparar pares de  gêmeos heterozigóticos com gêmeos homozigóticos chegou à conclusão que sim! Foi feita uma  biópsia do Músculo Vasto Lateral dos gêmeos homo e dizigóticos e medido o percentual de FIBRA I de cada gêmeo, e  descobriu   que a característica do músculo tem fortes componentes genéticos. É CIENTIFICAMENTE COMPROVADO: O ATLETA NASCE ATLETA. Agora, nos vem o questionamento, saindo um pouco da ciência e entrando no mundo da política, É possível um atleta tornar-se atleta apenas com o fator genético a seu favor???! Com certeza não. Fica aí então a dica para os “olheiros” da Copa do mundo de 2014 e das Olímpiadas de 2016: NUNCA SEREMOS UM PAÍS “TOP” nesses eventos, enquanto dispusermos apenas da genética como fator determinante para nossos atletas.

SEM INVESTIMENTO, TREINO, OPORTUNIDADES...



domingo, 7 de abril de 2013

Consumo de O2 e concentração de lactato - Exercício Físico




... Consumo O2 & Exercício Físico.


Voltamos ao assunto de Consumo de oxigênio e exercício físico para completar nossas informações!  Então vamos relembrar:

  Partimos do princípio de que dada uma determinada carga de trabalho para o indivíduo (exemplo: velocidade de uma caminhada ou corrida) quanto MAIOR for o consumo de oxigênio do individuo mais eficiente é  a execução do exercício, OU SEJA, mais rápido o indivíduo é capaz de adaptar seu metabolismo àquela determinada carga de trabalho. ADAPTAÇÃO: o que acontece até que o individuo consiga se adaptar a demanda energética  do exercício? Vamos ver!

O teste retangular submete o individuo a uma carga fixa por um determinado tempo, e assim, é possível verificar como o consumo de oxigênio responde nessas circunstancias. Vamos exemplificar: Uma pessoa, correndo a 12 km/h é submetida a uma velocidade de  17 km/h por um dado intervalo de tempo.

 

Área Hachurada vermelha do gráfico: Déficit de Oxigênio.
Área Hachurada verde do gráfico: EPOC de oxigênio

POR QUÊ ELE OCORRE?  O consumo se oxigênio não responde instantaneamente a uma mudança de carga! Pois o organismo necessita de certo tempo para adequar sua atividade metabólica à nova demanda energética, que no nosso caso é o aumento de velocidade!

Quando atingimos o Déficit de Oxigênio? No início do exercício, quando sentimos aquele cansaço inicial e temos a sensação que não conseguiremos continuar... Todos já sentimos isso, não?! Pois é.. é nesse momento que nosso organismo entrou em déficit de oxigênio: é uma forma de nos adaptarmos a nova demanda energética. Então nos perguntamos...

Porque  conseguimos continuar com o exercício?

1º) Ao passo que entramos no déficit de oxigênio, outras vias são ativadas: Vias Anaeróbias “substituem” a reposição de O2, ou seja, a  concentração de Lactato, aumenta durante o déficit de oxigênio!

2º ) O déficit de oxigênio cessa, pois conseguimos estabilizar o sistema aeróbio, é o que chamamos de Segundo fôlego. Por isso, quando estivermos nos exercitando, devemos lembrar: Não devemos desistir quando sentimos aquele cansaço inicial... “É só esperar nosso organismo atingir o ‘Segundo Fôlego”!


 DÉFICIT DE OXIGÊNIO DEPENDE DO QUE?! São 3 as variáveis essenciais:

- Variação da CARGA imposta no exercício, a carga em que o indivíduo se encontra e  sua condição física! Como essas variáveis se relacionam?

 
E as linhas verdes do gráfico, EPOC (excesso de consumo de oxigênio pós exercício): o que representa? Exatamente o oposto da linha vermelha, representa o EXCESSO de oxigênio.  Assim como demoramos a adaptar nosso consumo de O2 quando aumentos a carga de nosso exercício, também é necessário um tempo para adaptar o consumo de O2 quando diminuímos essa carga, afinal de contas, como já dissemos antes: O consumo se oxigênio não responde instantaneamente a uma mudança de carga!


Depois de entendido o que significam os termos DÉFICIT DE OXIGÊNIO E EPOC, podemos chegar a uma conclusão: QUANTO MENORES ELES SÃO, MAIS BEM TREINADO AERÓBICAMENTE É O INDIVÍDUO!

  
Exercício Físico e Lactato


Anteriormente discutimos algumas relações entre oxigênio (VO2) e exercício físico. Resta-nos agora falar sobre outra fonte de energia: O Lactato.  Antes de qualquer coisa, vamos esclarecer alguns pontos.


O que é Lactato? “O lactato é um sal, derivado do ácido lático. Este, por sua vez, é um subproduto da quebra de glicose para obtenção de energia.”


Como é formado?  É formado a partir da quebra da glicose. GLICOSE -> 2 PIRUVATOS -> 2 LACTATOS

  
  Como se dá a concentração do lactato em comparação a um ‘trabalho’ exercido? Veremos um exemplo da cinética do lactato em teste de carga progressiva.




Limiar: são intensidades!


Áreas do gráfico:


·         Antes do 1º limiar:  é a área sub aeróbia (individuo submetido a intensidade baixa, intensidade claramente aeróbia/oxidativa).  Essa área está abaixo do estímulo necessário para gerar adaptações aeróbias.


·         Entre 1º limiar e 2º limiar: é a chamada área aeróbia,  onde ocorrerão adaptações em resposta à carga basicamente  aeróbias.  Quanto  mais próxima do 1º limiar, o individuo treina  Aerobio Extensivo: Aerobio de longa duração, que produz  adaptações metabólicas como: Aumento densidade mitocondrial, aumento de capilarização e aumento de atividade enzimática oxidativa.  Quando for mais próxima do 2º limiar, o individuo treina Aerobio Intensivo, onde serão produzidas  adaptações cardíacas que melhorarão a capacidade cardíaca do indivíduo.


·         2º limiar: Área anaeróbia. As adaptações em resposta à carga  serão anaeróbias: aumento de massa muscular, aumento da tolerância a acidose, aumento da capacidade tamponante do hidrogênio. 

  
Atenção! Não necessariamente por melhorar a função cardíaca o paciente cardiopata deve começar trabalho de força na área Aerobia Intensiva, pois se isso acontecer o paciente entrará rapidamente em fadiga periférica.  O correto é começar em intensidades baixas para gerar adaptações metabólicas que evitem a fadiga.


Sobre a cinética do lactato: Podemos dizer que é uma cinética única, ela ocorre do MESMO jeito em indivíduos atletas e indivíduos sedentários! O comportamento  da curva de concentração de lactato de comporta da mesma maneira.